quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Trocando ideias com o amigo Philippe Guedon...

Reproduzo artigo (de 2007) deste incansável Solidarista da minha cidade natal que foi recentemente agraciado com a "Medalha Koeler" - maior honraria concedida pelo município de Petrópolis, RJ - e que muito colaborou para meu gosto por Política e defesa da Cidadania...


Reflexão Comunitária


A maior virtude das democracias é a alternância dos governos eleitos pelo voto livre dos cidadãos. Mas é, também, o seu calcanhar-de-aquiles. Nenhuma empresa alcançaria êxito, e sequer a sua sobrevivência se, a cada quatro anos, tivesse de mudar de presidente, diretores, conselheiros de administração e fiscais, e boa parte de suas gerências e chefias intermediárias. Os acionistas de nossa sociedade imaginária rapidamente se conscientizariam que a sucessão de gestores acarreta como corolário seguidas alterações de visões, objetivos, organizações, métodos, programas, prioridades, políticas, em suma de todo o perfil da companhia. O insucesso seria previsível. Pois dessa maneira funcionam os municípios (âmbito sobre o qual nos detemos aqui). A cada quatro anos, escolhemos novos prefeitos e vice-prefeitos. No máximo e por enquanto, uma reeleição assegura quatro anos adicionais ao principal mandatário, o Chefe do Executivo. Os efeitos dos câmbios freqüentes ficarão represados, para retornarem logo adiante. Sai um prefeito, outro/a assume o lugar; no mesmo dia, tomam posse novos vereadores na Câmara, e o prefeito nomeia um Secretariado composto segundo os seus critérios pessoais. Dada a nossa cultura de criação e reserva de número excessivo de CCs - os cargos de confiança - não só as cúpulas são objeto de mudança, mas a maior parte dos gestores dos escalões médios. Os Servidores que dedicam sua carreira à Administração Pública ao longo de cerca de três décadas e meia, convivem com nove, ou até mais, diferentes Prefeitos, e adaptam-se à outras tantas filosofias; os que já percorreram boa parte da estrada, sabem avaliar as danosas conseqüências da falta de continuide Os enfoques diferentes que adotam mandatários e população costumam ser ignorados por quem deveria impedir a sua ocorrência: políticos, partidos, imprensa, sociólogos, lideranças comunitárias. Pois que caiba ao nosso minúsculo PHS bradar, respeitosamente, que, ou se encontra solução para essa discrepância, ou não avançaremos, de fato, nos campos da participação, da continuidade, do planejamento. Os discursos a respeito permanecerão inócua expressão de intenção generosa, condenada a ficar por isso mesmo. Boa parte das competências da vida administrativa municipal traduz-se - ou deveria traduzir-se - por políticas de médio e longo prazo. Educação, formação profissional, saneamento básico, saúde, transportes públicos, desenvolvimento econômico, meio ambiente, ciência e tecnologia, habitação popular, administração pública, urbanismo, preservação, e outras vertentes importantes do que chamamos "governo municipal" requerem a prévia definição de metas, assim como dos prazos e da viabilização financeira da caminhada Essa prévia definição dos rumos e dos propósitos implica em planejamento que ilumine, pelo menos, os oito ou dez anos à frente. O que é incompatível com o encolhimento de nosso horizonte para respeitar os mandatos quadrienais. O sistema orçamentário repousa sobre três leis: o plano plurianual (4 anos), do qual derivam sucessivas leis de diretrizes orçamentárias (LDO) e leis orçamentárias anuais (LOA), estabelecidas antes de cada exercício. Aos planos diretores, previstos pela Constituição Federal e retomados pelo Estatuto das Cidades (Lei Federal 10.257/01) não foram impostos prazos definidos; o Estatuto só considerou caduco o plano diretor que não tivesse sido revisto após decorridos dez anos de sua adoção. Em outras palavras: sabemos que grande parte das políticas que integram as competências municipais exige prazos dilatados para a sua correta implementação, mas aceitamos um sistema que limita o nosso horizonte aos próximos quatro anos. Temos consciência que esse procedimento equivale a incentivar o improviso e impede uma ação que otimize os sempre insuficientes recursos de que podemos dispor. Mas não reagimos contra esse estado de coisas.


Aos petropolitanos, deveria ofender terem visto um matadouro tornar-se sacolão, depois teatro, a seguir secretaria, e então escola. Cinco usos sucessivos em poucos anos, um bocado de dinheiro inutilmente gasto por falta de planejamento e de consistência. Mero exemplo, colhido em seara fértil. Nem fechando os olhos bem apertados, escaparemos à evidência: os governos detêm o poder de fazer (Executivo) e de legislar e controlar (Legislativo). A eles é confiado o comando da nau por quatro anos. Mas só por quatro anos. E o que excede esses quatro anos? A resposta só pode ser no sentido de afirmar que a população não delegou poderes para ninguém além dos quatro anos do mandato. Cabe às comunidades perceber que elas detêm o que falta aos governos, porque a Constituição assim o requer: a perenidade. A partir as comunidades, somente delas, de ninguém mais além delas, poderão surgir as condições para que ocorra planejamento de médio e longo prazo no município. A democracia participativa inscreve-se, assim, ao lado da democracia representativa, de maneira harmônica e eficaz.


Nada inventamos aqui. Está lá escrito na Constituição de 88, logo no parágrafo único do artigo 1º: "Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição". Os poderes que não foram outorgados, continuam nas mãos do povo. Balizar o médio e o longo prazo é tarefa que a ninguém foi delegada, e somente a ativa presença do povo na formulação e acompanhamento do planejamento que lhe convém, assegurará a indispensável continuidade. Por sua vez, a continuidade é perspectiva cara aos bons prefeitos e vereadores, que temem ver o que de bom fizeram desaparecer de um dia para outro, sem que possam impedi-lo. As comunidades e os bons administradores concordarão que o planejamento é condição sine qua non para que ocorra a prática da verdadeira participação. Exemplificamos, para clareza. Cenário 1: o planejamento prevê que, em determinado período de governo, serão pavimentados 10 quilômetros de "logradouros". Ao fim do período, será possível avaliar: foram pavimentados os 10 kms, meta cumprida, bacana. Pavimentaram-se 11, foi superada a expectativa, vamos ver como se deu o feito e, se for o caso, vamos aplaudir. Se não se ultrapassou a casa dos 9, vamos ver o que aconteceu, para formar juízo a respeito. Ou seja: as condições necessárias e suficientes para a participação estão presentes: planejou-se uma meta, e estuda-se o verificado em relação ao previsto. Cenário 2: o candidato faz boca de siri, não se compromete com nada e leva os eleitores no papo. Ao fim de seu mandato, pavimentou escassos dois quilômetros. Mas pode adjetivar a sua modesta obra como um feito retumbante, o maior desde Tomé de Souza (muito lembrado ultimamente). A diferença entre os dois cenários é abissal, em termos de boa gestão de um município, de forma sustentada, continuada, consistente. Acrescentamos uma reflexão de cunho ético: em que medida um governante cujo mandato tem o limite de quatro anos, tem o direito de conceber e de implementar políticas públicas cujos efeitos ultrapassam tal período, sem recorrer ao respaldo específico da vontade popular? Imaginemos uma situação concreta: o Chefe do Executivo elabora, com os seus auxiliares da área em pauta, uma política de saneamento básico, que pressupõe uma oncessão dos serviços de abastecimento de água e coleta e tratamento de esgotos ao longo dos próximos trinta anos. Terão o Prefeito e os Vereadores, eleitos para mandatos de quatro anos, o direito moral de definir um aspecto relevante da vida municipal que vai abarcar, pelo menos, vinte e seis anos além do mandato que lhes foi outorgado, sem recurso a um plebiscito específico, à ciclos de audiências públicas, a amplos debates no seio de conselhos legitimados pela população? Participamos intensamente, em Petrópolis/RJ e desde o início da década de oitenta do século passado, dessa atividade conhecida por "participação popular". Já lá se vai, pois, mais do que um quarto de século. Temos a crescente convicção que a resposta ao desafio que esboçamos até aqui reside no delicado equilíbrio entre o poder/dever da ação governamental e a contínua participação comunitária. Se souberem completar-se, o céu é o limite; se duelarem pela hegemonia, irão anular-se reciprocamente em maior ou menor grau. E cometerão incomensurável burrice, pois governo e comunidades organizadas emanam do mesmo povo e são complementares. Voltemos à nossa comparação entre um município e uma empresa. A população do primeiro pode ser assimilada aos acionistas da segunda; os prefeitos e os presidentes são eleitos pela população e pelos acionistas, respectivamente; Da mesma forma, e pelos mesmos universos, são eleitos os vereadores, de um lado, e os conselheiros (fiscais ou de administração) de outro. Entendemos que as diferenças se fazem presentes a partir deste ponto. Olhemos, primeiro, para a empresa: eleito o presidente, constituída a sua diretoria, formados os conselhos, continua a assembléia geral dos acionistas a enfeixar poderes (de exigência de informação, de participação, de avaliação e de controle) que se manifestam a qualquer momento, ao longo dos mandatos concedidos. Por exemplo e com particular destaque, a cada ano devem os administradores da sociedade comparecer diante das AGOs dos seus acionistas (comparando: diante de toda a população) para prestar contas do exercício findo e propor programas para o vindouro, submetendo-se ao referendo de quem lhes outorgou o mandato. E, sempre que for conveniente, uma AGE será chamada. Já, a nível da administração pública, o diálogo população/poder público adota o ritmo quadrienal. Entre duas eleições, salvo uma ou outra ainda rara proposta de democracia participativa, o processo decisório costuma ficar restrito aos poderes Executivo e Legislativo entre si (ao que corresponderia a um diálogo empresarial reservado entre a diretoria executiva e seus conselhos, sem intervenção da assembléia geral dos acionistas). Não se facilita o acesso da população ao processo decisório, e vê-se a participação como uma renúncia das autoridades eleitas à uma parcela do poder inerente aos seus mandatos. Os poderes permanentes e amplos das assembléias gerais não encontram, em verdade, paralelo na vida pública. Os efeitos de sua ausência são, sob o ponto de vista da participação, devastadores.


Há que serem criados instrumentos correspondentes às AGOs e AGEs das sociedades anônimas para que a nossa democracia funcione plenamente. Se ambicionarmos levar para a dministração Pública os padrões de eficiência e de controle social vigentes na iniciativa privada, este é o ponto que deve merecer a nossa atenção, nossas reflexões e nossas providências.


Existem administrações públicas que aceitam (e até há aquelas que estimulam, por duas vezes tivemos o privilégio de viver tais processos) o diálogo permanente com as comunidades; existem municípios onde a imprensa é atuante e independente, eqüidistante entre a situação e à oposição; existem comarcas onde o Ministério Público se mostra atento e consciente de seu papel de Fiscal da Lei e defensor da cidadania. Mas existe, claro e infelizmente, uma considerável maioria de lugares e momentos onde os eleitores, paparicados quando das campanhas, são vistos como inconvenientes entre janeiro do ano Um e julho do ano Quatro. Épocas, simples coincidência, do início dos mandatos e das campanhas eleitorais subseq6uentes... Gostaríamos, aqui, de sugerir um esquema que nos ajude a transmitir uma proposta de convivência mutuamente respeitosa


e fértil entre um governo municipal e a comunidade organizada local.Quem sabe poderá ser útil a alguém que esteja percorrendo essa mesma trilha?


Anexamos uma representação gráfica dessa maneira de ver a interface permanente comunidade/governo, e passamos a explicá-la:






POPULAÇÃO






GOVERNO COMUNIDADES


ORGANIZADAS






EXECUTIVO (sem contrapartida)






PREFEITO (sem contrapartida)


SITUAÇÃO CONVIVÊNCIA OBRIGATÓRIA SITUAÇÃO/OPOSIÇÃO






SECRETARIADO FÓRUM POPULAR /


CÂMARA DE ENTIDADES


(ou arquipélago estéril de


entidades)






CONSELHOS






AUDIÊNCIAS PÚBLICAS






PLEBISCITO/


REFERENDO










LEGISLATIVO FÓRUM POPULAR /


SITUAÇÃO/OPOSIÇÃO CÂMARA DE ENTIDADES


CONVIVÊNCIA


SITUAÇÃO / OPOSIÇÃO


(CONTRADITÓRIO (ou arquipélago estéril de


ESTIMULADO) entidades)






TRIBUNA LIVRE






EMENDAS POPULARES






AUDIÊNCIAS PÚBLICAS






OUVIDORIA DO POVO










GOVERNO (administração pública, se preferirem) e COMUNIDADE ORGANIZADA têm a mesma origem: ambos deitam raízes na POPULAÇÃO, composta por todos os moradores de nosso município. Assim, fica claro o equívoco de quem enxerga confronto entre um e outra, pois ambos têm a mesma raiz, são as duas mãos de um mesmo corpo. É tão absurdo GOVERNO e COMUNIDADE ORGANIZADA se estranharem, tratarem-se mutuamente como adversários, quanto a mão direita socar a esquerda ou esta beliscar aquela. Pouco importa se o desentendimento tiver sido iniciativa do governo ou das


comunidades organizadas, como tanto faz se a iniciativa do soco ou do beliscão for da mão esquerda ou da direita. A nossa representação gráfica ostenta, no alto, a palavra POPULAÇÃO, soberana e bem equilibrada no meio da página. Logo abaixo, e até o pé da folha podemos traçar uma linha que crie dois campos complementares e harmônicos, as duas faces da mesma moeda. A linha não ergue barreira; ela só existe para nos permitir entender o fértil intercâmbio.


Como referencial e para melhor compreensão, evoquemos aos três poderes, harmônicos e independentes entre si, que prevê a Constituição: Executivo, Legislativo e Judiciário. Cada qual é uma parte de um todo. Nenhum pode subsistir por si só, e nenhum é "mais" ou "menos" do que os dois outros. A POPULAÇÃO do município necessita de um GOVERNO que atue como A DIRETORIA EXECUTIVA e como os CONSELHOS de uma empresa. Eleitora do GOVERNO, composto por EXECUTIVO e LEGISLATIVO, a POPULAÇÃO não precisa de qualquer forma de organização correspondente, na sua vertente COMUNIDADE ORGANIZADA.


Escreveremos abaixo, do lado GOVERNO, a palavra EXECUTIVO e, logo abaixo, PREFEITO. Impõe-se uma meia-trava para que os conceitos fiquem bem claros.


Os Poderes Municipais são dois, já que o Judiciário, de organização estadual, distribui-se no território através de comarcas que não correspondem, necessariamente, aos limites municipais. Temos o EXECUTIVO municipal, como temos o LEGISLATIVO municipal, ponto e só. Vamos deixar este para um segundo tempo, e examinar aquele. Quando das eleições municipais, escolhemos o nosso futuro Prefeito, para chefiar o Poder Executivo ao longo dos próximos quatro anos. Os candidatos são apresentados por partidos, como manda nosso quadro legal (nem ONGs, nem Sindicatos, nem OSCIP nem qualquer outra forma de associativismo podem indicar candidatos, ao revés de outros países, que acolhem a figura do


candidato independente); aqueles partidos e aqueles cidadãos que apoiaram o eleito irão transformar-se em situação, e os que defenderam os derrotados formarão a oposição. Ocorrerão transferências de cá para lá e vice versa, mas elas não mudarão a obrigatória existência, desejável e salutar, de uma situação e de uma oposição. Nunca esqueçamos que a democracia pressupõe que esses rótulos sejam trocados de temos em tempos.


Ninguém É situação ou É oposição. ESTÁ num, para ESTAR noutro a seguir, e fica nessa situação pendular ao longo de sua vida. A coexistência entre situação e oposição, entre os que apóiam e os que adotam postura crítica, assume três formas diversas, conforme enfocamos o EXECUTIVO, o LEGISLATIVO e a COMUNIDADE ORGANIZADA. O EXECUTIVO é a casa da situação; por definição, a oposição fica de fora. Se a oposição quiser participar do EXECUTIVO, ela deixa, no mesmo instante, de ser oposição e vira base da situação. Já, no LEGISLATIVO, situação e oposição devem compartilhar o espaço, defendendo posições divergentes, em ambiente de mútuo respeito. A Câmara Municipal é o espaço adequado para que ocorra o permanente contraditório situação/oposição, em função da postura decidida por cada partido, e da evolução de sua vida interna. Este mesmo contraditório, inexistente no seio do EXECUTIVO, indispensável no LEGISLATIVO, e normal na vida político-partidária, não pode nem deve invadir a vida associativa comunitária. Pois o que é saudável no ramo GOVERNO, adequando-se às características próprias do EXECUTIVO e do LEGISLATIVO, revela-se peçh Podemos insistir neste ponto? Quando se fala de médio ou longo prazo, a visão situação / oposição é outra.


Nos próximos doze anos (por exemplo), conheceremos três governos. O oposicionista de hoje será o situacionista de amanhã, e nem desconfiamos o que na terceira rodada. Ou seja, se não arrancarmos esse limitador de abrangência de nosso convívio no seio da COMUNIDADE ORGANIZADA, não vamos a lugar nenhum, por aceitar vício de forma liminar. As divisões que estimulam o processo político (e geram as "partes" ou partidos), quando ocorrem do lado do GOVERNO, nada mais


fazem do que debilitar a ação comum, quando invadem o lado da COMUNIDADE ORGANIZADA. Esta só viceja lá onde as pessoas sabem conviver, umas com todas as outras, sem exclusões, aportando as suas singularidades em dote para a constituição do amplo balaio da riqueza geral. Na COMUNIDADE ORGANIZADA, cada um é cada um, sem abrir mão de nada. Será vascaíno ou rubro-negro, católico ou evangélico, doutor ou


egresso do ensino fundamental, de esquerda ou de direita, "duro" ou abastado, morador em barraco ou em mansão, simpático ao Governo ou seu crítico, usuário de ônibus ou passageiro de carro, viciado em carnaval ou amante de ópera, condicionado por sua idade, sexo, tipo físico, história pessoal, qualidades e defeitos. Nada disso separa; ao contrário, é fator de enriquecimento coletivo.


O que importa é, tão somente, a condição de cidadão, membro da COMUNIDADE ORGANIZADA. Não se requer que abra mão de nenhuma de suas convicções ou características, mas se exige em contrapartida que não procure impô-las a outrem. A COMUNIDADE ORGANIZADA é o palco do somatório, é o resultado do que cada um aporta. Uma única característica de um único cidadão/ã a menos, e o coletivo todo fica um pouco mais pobre. Quem quiser discutir política partidária, praticar o jogo da situação/oposição, sinta-se à vontade para fazê-lo onde cabe: no âmbito interno dos partidos e no espaço próprio do GOVERNO.


É perfeitamente possível para um cidadão ou cidadã ser militante em partido que integre a situação ou a oposição, e ser, simultaneamente, um comunitário atuante, capaz de posicionar-se no nível acima, que é o da busca do consenso. Não há brasileiro que desconheça haver tempo para vestir a camisa de seu time do coração, e tempo para vestir a camisa da seleção, onde convivem os maiores craques de cada time. Se assim não ocorrer, a COMUNIDADE ORGANIZADA estará permitindo que fissuras partidárias ajam, indevidamente, em seu seio. A convivência comunitária ficará impossível, e as instituições construídas com tanto esforço ruirão; a invasão do contraditório situação / oposição no lado da COMUNIDADE ORGANIZADA torna-a simples reprodução do GOVERNO, tornada selvagem pela ausência das normas que a balizam quando se expressa onde cabe. Não dá para incidir nesse erro crasso sem evoluir. Atribui-se ao Chanceler Konrad Adenauer o dito: "Se Deus limitou a inteligência humana, bem poderia ter limitado a burrice". Com todo o respeito, cabe a citação, quando se assiste à esterilização de uma entidade comunitária por aceitar a importação do vírus da situação / oposição. Foi assim com a Câmara de Entidades Petropolitanas, com o Fórum Popular, com o Conselho das Associações de Moradores, et coetera... Quando saberemos imitar o exemplo dos tão mal-falados lutadores de boxe, que são capazes de se esmurrarem reciprocamente, ao longo de quatro ou até dez assaltos mas, antes de deixarem o ringue, mudam de atitude e se cumprimentam? Quantas vezes vimos o vencido erguer a mão do vencedor, e pedir ao público palmas para quem o derrotou? Pombas, é lindo, mas quando vamos, no seio da Comunidade, copiar o admirável comportamento?


A COMUNIDADE ORGANIZADA é um maravilhoso universo composto pela miríade de formas de organização que a sociedade bola para unir os que têm preocupações ou objetivos semelhantes. São as associações de moradores, os sindicatos, as entidades de classe, as ONGs e OSCIPs em prol disso ou
daquilo, os diretórios estudantis, os clubes de serviço, os centros de convivência de idosos, os movimentos de cunho religioso, os partidos políticos (por sua vertente da busca do diálogo democrático), os grêmios e diretórios, as entidades de benemerência, e todas as mais entidades que possamos imaginar, submetidas à condição de serem reconhecidas como legítimas e atuantes pelo melhor dos juízes na matéria: o plenário da própria comunidade . A idéia é não excluir nenhuma, desde que aceite cumprir as duas normas únicas e que não admitem exceções: o respeito mútuo e a prova da legitimidade (no sentido de representar a entidade um segmento real e definido, e de manter sinais vitais perceptíveis, como a eleição regular de seus diretores). Voltemos para o lado de nosso gráfico que cabe ao GOVERNO, e ao nível do PREFEITO. Cabe ao PREFEITO logo após a sua eleição, com a participação de seu vice e dos partidos que constituem a sua base, organizar o seu SECRETARIADO. Caberá ao PREFEITO escolher o perfil de seus auxiliares imediatos, das pessoas de sua confiança a quem serão entregues fatias mais ou menos amplas da ação municipal. Os membros do SECRETARIADO são de livre nomeação e exoneração pelo prefeito; podem marcar as suas gestões com a sua personalidade, sua eficácia, suas preocupações de natureza ética, a sua visão comunitária mas, ao fim e ao cabo, devem afinar-se com a filosofia do prefeito. Se não concordarem com a mesma, pedirão as contas e o chapéu, ou aguardarão que o Prefeito adote a inevitável iniciativa. Fique a clara compreensão que o SECRETARIADO é, por definição, uma equipe submetida à uma vontade coordenadora central, a do PREFEITO. Funciona assim. Correspondendo ao plano do SECRETARIADO, do lado da COMUNIDADE ORGANIZADA, não costuma existir nenhuma ferramenta. E aí reside o desequilíbrio que costuma inviabilizar o sistema todo. É óbvio que não dá para equilibrar, de um lado, uma organização racional, com um coordenador único e colaboradores gabaritados em cada área, que podem recorrer a auxiliares e a um mínimo de recursos materiais, e de outro lado , um arquipélago disperso composto por ilhas independentes entre si... No espaço, os corpos celestes se atraem e se afastam, segundo forças e princípios definidos; na COMUNIDADE ORGANIZADA, costuma reinar a simpática anarquia.


Cada um por si e, paradoxalmente, o GOVERNO por todos. Acontece que, sob a ótica das entidades, o GOVERNO deve ser o interlocutor da COMUNIDADE ORGANIZADA, em pé de igualdade, e nunca, jamais, o tutor.


Só existe uma saída: a COMUNIDADE ORGANIZADA precisa ser capaz, por si mesma - resistindo à tentação de pedir ao GOVERNO que tome a iniciativa de guiá-la - de gerar uma instância que re-aprume as coisas. Insistimos: de um lado, temos uma organização (GOVERNO) coesa e hierarquizada, com áreas de ação bem distribuídas e apoiadas por ferramentas que podemos supor eficazes. Do outro lado, a multiplicidade de organizações nascidas do seio da população (COMUNIDADE ORGANIZADA) tende a anular-se entre si, pela falta de coesão ou, muito pior, por permitir que o contraditório situação/oposição invada a sua praia. Passamos a ter uma balança entortada do lado do prato do GOVERNO, embora os dois ramos tenham raiz comum. E, notem bem: a ninguém interessa tal desequilíbrio, nem ao GOVERNO que vê amputadas as suas esr


Se a COMUNIDADE ORGANIZADA não for capaz de gerar um instrumento tipo FÓRUM COMUNITÁRIO ou CÂMARA DE ENTIDADES, que corresponda ao SECRETARIADO característico do EXECUTIVO, e forme um Plenário com todas as organizações nascidas do tecido social, encontramo-nos em beco sem saída.


Como buscar os consensos possíveis, ou pelo menos a definição das preferências da maioria dos segmentos? Nem a organização desse Plenário é suficiente: é preciso que todos fiquem vigilantes para evitar a sua contaminação pelo contraditório entre situação e oposição. O que vem a ser um FÓRUM COMUNITÁRIO ou uma CÂMARA DE ENTIDADES? Trata-se de um espaço onde todas as entidades reconhecidas pela comunidade organizada como legítimas (podem até não ser legalizadas, como uma associação de moradores de bairro carente, por óbvias razões de economia, mas precisam ter a legitimidade de sua representação reconhecida pelo plenário) sentam-se em pé de igualdade, completamente à margem do governo e à margem do contraditório situação/oposição.


Não se trata de preparar qualquer tipo de confronto com o GOVERNO, que nunca deve existir. Trata-se de ativar a "assembléia geral" de que carecemos e sem a qual não haverá o equilíbrio que enseja a democracia participativa, não haverá continuidade, não haverá planejamento. No FÓRUM POPULAR ou na CÂMARA DE ENTIDADES elaboram-se propostas de políticas públicas, que iluminam o horizonte à frente bem além do término do mandato do PREFEITO/A em curso de mandato. Paira, portanto, acima do contraditório situação / oposição. A situação de hoje será a oposição de amanhã (ou até de depois de amanhã, mas o será, inapelavelmente), e vice-versa; ninguém pode assegurar a coerência que convém à POPULAÇÃO senão a COMUNIDADE ORGANIZADA através de seus mecanismos permanentes. Com a conveniente periodicidade, que dependerá do porte do município, do número de entidades, da pauta de temas, da organização local, e outras condicionantes, as questões de interesse comum serão inscritas em pauta para que se chegue a um consenso ou se apure uma nítida preferência. Se uma das duas opções não for viável, a questão deve ser deixada a critério das diversas entidades participantes, pois o propósito o fórum/câmara nunca será de engessar a livre manifestação das entidades, mas sim de permitir a ação coordenada lá onde verificar-se possível. Esse exercício de cidadania é possível e imprescindível, como evidenciam experiências acontecidas.


Na medida em que alcançarmos êxito na ativação de nosso FÓRUM ou CÂMARA, as vertentes GOVERNO e COMUNIDADE ORGANIZADA, nascidas no seio da mesma população, estarão em condições de igualdade para criar conselhos municipais temáticos eficientes, quer sejam paritários, quer adotem outra formatação. Pouco importará o seu caráter consultivo ou deliberativo; não se quer impor nada ao PREFEITO, e sim levar em dote, através do diálogo, a permanência que nenhum GOVERNO pode conquistar, dentro do sistema da alternância democrática, e os frutos dessa perenidade. A COMUNIDADE
ORGANIZADA tem os seus meios próprios de divulgação e defesa de suas propostas: a mídia, as entidades que a compõem, as sucessivas campanhas eleitorais (quando pedirá a cada candidato qual a sua posição em relação às políticas públicas desenvolvidas, e recomendará o voto naqueles que melhor as acolherem; não será essa a melhor definição de democracia bem exercida?). Sob o ângulo que aqui nos interessa, o da participação eficaz e eficiente, cada uma das duas vertentes, traduzida pelo SECRETARIADO, cá, e pelo FÓRUM ou CÂMARA, lá, vai gerar bancadas de conselheiros adequadas ao seu tipo de representação. A sua designação, e as formas de acompanhamento e monitoramento das representações nos Conselhos municipais, assegurarão equilíbrio e respeito mútuo nos diversos Conselhos temáticos, onde se dá a participação com particular intensidade e objetividade. Imaginemos um conselho paritário: X representantes do governo, trabalhando com outros tantos X representantes da comunidade, sobre determinado campo setorial. A representação do Governo é indicada por um SECRETARIADO, por definição coeso e bem coordenado. A representação da comunidade, caso não exista FÓRUM nem CÂMARA DE ENTIDADES, é deixada à maior ou menor iniciativa desta ou daquela entidade ou segmento, com forte marca de subjetividade, nenhuma delas tendo representatividade, além de seu segmento específico. Provavelmente, a entidade "A" votará azul, enquanto a "B" votará verde; nem terão conversado antes da reunião entre si, nem muito menos consultado o conjunto da COMUNIDADE ORGANIZADA. O GOVERNO não precisa mobilizar nenhum trator para que a sua metade do Conselho, votando unida, leve a melhor em qualquer debate. O PREFEITO e o seu SECRETARIADO definem qual a sua representação ideal nesse ou naquele conselho, assim como debatem as posições a serem defendidas e a maneira de encaminhá-las; faça pareco Se quisermos dispor de uma balança com os pratos equilibrados para praticar participação como manda o figurino, então não aceitemos que o diálogo se trave entre um lado "profissionalizado" e outro marcado pelo amadorismo menos pé-no-chão que se possa imaginar. O problema não é do GOVERNO, é da própria COMUNIDADE ORGANIZADA. As comunidades que anseiam pela participação devem fazer a sua parte de maneira soberana, pois somente assim estarão em condições de assumir o diálogo mutuamente respeitoso com o GOVERNO em situação de altiva igualdade e mútuo respeito, como convém à eficácia da participação. Algumas lideranças, representando organizações da COMUNIDADE ORGANIZADA, devem tomar a iniciativa de convidar as suas co-irmãs para uma primeira reunião. Os jornais, as rádios, as TVs locais são bons meios de mobilização, assim como a peregrinação às sedes das entidades, e a correspondência tradicional. Um auditório ou sala de reuniões, ou ainda uma sala de aulas, até a garagem ampla da residência de um companheiro, serão locais adequados para a busca da organização da caminhada. Deve-se deixar claro que não haverá exclusões: todas as organizações são bem-vindas. Que tragam o seu estatuto e as atas de suas últimas reuniões, em particular a que elegeu a atual diretoria. O carimbo do cartório é bem-vindo, mas não pode ser impeditivo; o que assegura a legitimidade de uma representação comunitária não pode ser o reconhecimento de um tabelião, mas sim o das instituições co-irmãs. Se o plenário dos iguais ratificar a legitimidade de uma organização comunitária, nada mais será necessário para assegurar-lhe assent Composto o plenário inicial de nosso FÓRUM ou CÂMARA, ficará sempre nossa "ágora" (a praça ateniense onde as pessoas discutiam questões de sua pólis) aberto à novas adesões, dependentes, exclusivamente, do reconhecimento da legitimidade da entidade pretendente e de seu desejo de participar, uma entre outras e todas iguais. Até bilhetes de banco já sabem; pluribus unum, um no seio de muitos. Quer vir participar? Pois seja bem-vindo, chegue-se ao pé da mesa, venha apresentar-se. Assista às primeiras reuniões, sem direito ainda a voto, enquanto os seus co-irmãos reúnem informações para aferir a sua legitimidade. Logo após o voto das mesmas, que deve levar em conta a vocação da neófita para a ampla participação e, também, o resguardo do Fórum contra os que poderiam desejar vir tumultuar o processo, a nova entidade passará a dispor de direito a voto. Simples, não? E a expressão de seu pensamento será garantida em toda a medida que não se tragam para dentro do Fórum ou da Câmara os argumentos pró-Governo ou antio As coordenadorias dos FÓRUNS ou CÂMARAS devem ter mandatos curtos, renováveis uma ou poucas vezes, para evitar hegemonias indesejáveis. Seis meses são um bom período para coordenar uma instituição tão essencial e abrangente; se os coordenadores forem, realmente, bons de bola, pois que mereçam mais um ou dois mandatos. Se não tiverem sido assim tão brilhantes, o plenário agradece sem traumas e parte em busca de outras soluções. O mandato curto também tem o grande mérito de não gerar apetites além do razoável; haverá outros caminhos mais gratificantes e menos trabalhosos para quem procura promover-se no seio da comunidade, visando a uma futura candidatura ao que quer que seja. Aproveitamos para deixar claro que não conhecemos melhor escola para futuros vereadores do que as lides comunitárias. Ao FÓRUM ou CÂMARA cabe o duplo papel de elaborar propostas de políticas públicas e de assegurar a retaguarda para as representações comunitárias nos Conselhos Municipais ou onde mais seja assegurado o diálogo entre COMUNIDADE ORGANIZADA e GOVERNO. A COMUNIDADE ORGANIZADA não pode abrir mão do direito de designar as suas representações sem interferência Governamental, se deseja preservar o indispensável equilíbrio. O conceito de paritário implica em equilíbrio, em igualdade de regras. Mais uma vez: as normas não devem objetivar o confronto, mas sim o diálogo entre partes complementares do mesmo todo, emanado do povo, como manda a Constituição. Já foi dito por pensador social-cristão, lá nos primórdios da evolução Industrial: "entre o forte e o fraco, é a Justiça que liberta e a Liberdade que oprime" (Lacordaire, acreditamos). Cabe ao EXECUTIVO designar quem deseja, para integrar a sua representação nos Conselhos Municipais, mas não lhe cabe (nem a ninguém mais) interferir na livre escolha das representaçõ Não basta designar conselheiros e seus suplentes. Há que se definir, coletivamente, as posições que devem defender, elaborar as propostas de políticas públicas que apresentarão, fornecer capacitação, monitorar a ação, avaliar desempenhos, corrigir rumos. Nenhuma entidade da COMUNIDADE ORGANIZADA, por si só, tem o direito de substituir-se à vontade coletiva. Em verdade, a ação independente de qualquer entidade corresponde à solapar a grande autoridade do conjunto da população. Lembrem: nenhum Secretário pode opor-se às orientações recebidas do PREFEITO; não buscará a COMUNIDADE ORGANIZADA semelhante unidade? Não podemos deixar de abordar, nestas reflexões, a questão especial dos planos diretores e dos orçamentos. O Estatuto das Cidades veda a sua votação pelas Câmaras Municipais antes que tenha ocorrido a participação popular. Causa espanto constatar que as COMUNIDADES ORGANIZADAS não cuidam de ocupar esse esplêndido espaço de atuação. Temos para nós que a responsabilidade maior pela falta de informação a respeito dos dispositivos legais (Estatuto das Cidades, Lei 10.257/01, LOM, Plano Diretor Municipal) incumbe aos partidos políticos, através de suas executivas ou diretórios municipais. As raríssimas exceções devem ser saudadas com tanto maior respeito, e alegra-nos verificar que ao nosso pequeno PHS cabe lugar de gente grande entre essas. Aos partidos cabe difundir o conhecimento e a prática das leis; infelizmente, raríssimos são os cidadãos de um determinado município que poderão citar o endereço de duas agremiações partidárias. Por serem estas, via de regra, absolutamente omissas. Que nos perdoem, mas ai Quando a COMUNIDADE ORGANIZADA posicionar-se contra o GOVERNO, além de tema definido relativo à política pública, será sintoma de contaminação pelo vírus do contraditório situação/oposição. O campo próprio da COMUNIDADE ORGANIZADA, a definição de políticas públicas, eixos permanentes de ação a médio e longo prazo, transcende o horizonte limitado de qualquer GOVERNO. Os CONSELHOS MUNICIPAIS, as AUDIÊNCIAS PÚBLICAS, os PLEBISCITOS e REFERENDOS, são formas diversas de diálogo mutuamente respeitoso entre GOVERNO e COMUNIDADE ORGANZADA, cada qual contribuindo com as suas características próprias. Esqueçamos as oportunidades de embates, preferindo-lhes o ensejo da construção duradoura. O EXECUTIVO pode propor, viabilizar, executar, com especial agilidade; a COMUNIDADE ORGANIZADA, e somente ela, pode assegurar a continuidade. O que lhe for impingido sem o seu acordo, ruirá logo ali na esquina. Em contrapartida, as políticas públicas sugeridas pela COMUNIDADE ORGANIZADA só se tornam realidade quando acolhidas pelo GOVERNO. É, assim, infinitamente tolo querer lutar contra essa evidência. juntos, GOVERNO e COMUNIDADE ORGANIZADA tudo podem; separados, enfraquecem-se, quando não se anulam. O diálogo entre a COMUNIDADE ORGANIZADA e o LEGISLATIVO precisa ser trabalhado com cuidado não menor do que aquele que se estabelece entre a COMUNIDADE ORGANIZADA e o EXECUTIVO. Há diferenças, nítidas algumas, sutis outras, mas que precisam ser levadas em conta. O LEGISLATIVO não é um monólito formado apenas pela situação, como o EXECUTIVO; pois é composto por situação e por oposição. A primeira costuma dominar, através de formação de maioria; mas há espaço legalmente assegurado para a oposição (minoria) e inúmeros instrumentos previstos para que esta possa se expressar, bem como a COMUNIDADE ORGANIZADA. A leitura do Regimento Interno da Câmara e da Lei Orgânica Municipal muito ensinará às lideranças comunitárias. Os dois maiores obstáculos que atravancam o diálogo que precisa ser estabelecido entre LEGISLATIVO e COMUNIDADE ORGANIZADA são, de um lado, a falência dos partidos políticos e, de outro lado, o corporativismo dos vereadores. Quem não ouviu, ainda, o argumento de ser a Câmara Municipal a legítima - e única - intérprete dos anseios comunitários, que me atire a primeira pedra. Essa visão distorcida faz honrosa companhia àquela que encontramos, com excessiva freqüência, no seio de EXECUTIVOS, e que leva a enfiar nas cabeças das lideranças comunitárias que procuram participar, a carapuça de integrantes da oposição. Até podem ser, mas se o forem, não são representantes da COMUNIDADE ORGANIZADA, mas militantes engajados em ações de cunho político-partidário. Erraram no tempo e no âmbito.


Comunitário fala de política pública, e sabe que o integrante do GOVERNO municipal de hoje é o seu companheiro comunitário de ontem e novamente de amanhã. A situação de hoje é a oposição de amanhã, e assim sem cessar, enquanto ae O LEGISLATIVO é a Casa do embate permanente entre situação e oposição. A COMUNIDADE ORGANIZADA é a casa da convivência entre situação e oposição. O EXECUTIVO é o momentâneo reduto da situação, amanhã oposição à nova situação. O menos arguto dos cidadãos que praticam a PARTICIPAÇÃO já constatou, com surpresa, que esta é muito menos atuante junto ao LEGISLATIVO do que junto ao EXECUTIVO. A tribuna livre e as audiências públicas são objeto de pouquíssima divulgação e menor interesse. Plenários vazios, dos dois lados do balcão de madeira que separa os vereadores da assistência, são a paga dos que acreditam nessas ferramentas tão preciosas. Quanto à Ouvidoria do Povo, avanço de nossa LOM, começou a virar zumbi quando do discurso de um Candidato ao cargo - o Dr. Domingos Bernardo da Silva e Sá - que se propôs a atuar de olhos postos no Executivo e também no Legislativo... Os vereadores se entreolharam e foi perceptível que as fichas caíram, tornando o instituto letra morta. Lamentável, mas assim se escreveu o episódio. A COMUNIDADE ORGANIZADA pode e deve corrigir esse estado de coisas. A receita do bolo é clara, embora talvez não seja tão fácil de execução. As leis estão aí, Constituição, Estatuto da Cidade, LOM, Plano Diretor Municipal; Executivo e Legislativo estão constituídos e plenamente operacionais, até os partidos cujas siglas estão representadas no Plenário do Legislativo são conhecidos e integram a comunidade. Claro, ainda falta a comunidade se conscientizar que ela precisa adotar organização que preencha o vazio que deixa desequilibrado todo o sistema. Por que deveria um LEGISLATIVO ter mais aguda visão social do que a população da qual deriva? Se a participação não construiu o seu espaço próprio, não reforçou a COMUNIDADE ORGANIZADA, seria acreditar em Papai Noel desejar que uma Câmara Municipal tomasse a iniciativa de estimular o que vê - erradamente - como uma forma de concorrência. Parece-nos evidente que, na exata medida em que o FÓRUM POPULAR - ou a CÂMARA DE ENTIDADES - mobilizar a SOCIEDADE ORGANIZADA, e conseguir carrear dezenas de lideranças para compor a assistência aos eventos participativos, informando as diversas formas de mídia e mantendo o MP informado sobre eventuais desvios, além de conseguir o ativo respaldo do máximo possível de partidos políticos, a perspectiva pela qual é visto o diálogo COMUNIDADE ORGANIZADA / LEGISLATIVO mudará na hora. Ou a COMUNIDADE ORGANIZADA reconhece que precisa estruturar-se por sua própria iniciativa, age nesse sentido, e faz as coisas acontecerem da maneira certa, ou vamos ficar chorando sobre o leite derramado até o final dos tempos. Não carecemos de leis novas, as que existem são mais do que suficientes para que o sistema funcione a contento, sem confrontos que ninguém deseja (e que não levam a lugar nenhum). Nada, nada mesmo, nem conselhos municipais temáticos, nem audiências públicas, nem tribunas livres, nem plebiscitos e referendos, nem ouvidorias, resultarão em algo positivo para a POPULAÇÃO se a COMUNIDADE ORGANIZADA não carregar a sua parte do andor. Olhemos os plebiscitos e referendos. Tal como figuram na Constituição, não têm validade prática no âmbito municipal, pois é inviável mobilizar-se a máquina eleitoral para questões locais (basta ver o esforço a que obriga a limitada votação para o Conselho Tutelar). Mas há formas e formas de plebiscitos e de referendos. Permitam que cite um exemplo vivido: o processo de Orçamento Participativo de 2.003, que envolveu 10% da população de nosso Município. Os erros e acertos dessa experiência vivida, adequadamente registrados, podem ser aproveitados para que se montem ações de consulta popular, econômicas e auto-disciplinadas, usando a extensa rede de entidades que compõem a COMUNIDADE ORGANIZADA. Acreditamos que poucos cidadãos e cidadãs tenham uma idéia do número de organizações que a sociedade criou, em qualquer canto para onde se olhe. Esse tecido social é a mais extraordinária das forças políticas, só precisa dispor de um mínimo de auto-coordenação. Podem-se efetuar inúmeras consultas à população, recorreo. Sempre haverá quem tema a luz e se oporá à proposta de harmoniosa integração entre os Poderes constituídos e a COMUNIDADE ORGANIZADA.


Se a alguém incomoda que: a) se definam políticas públicas de médio e longo prazo, b) que as Leis existentes sejam implesmente cumpridas, c) que a PARTICIPAÇÃO ocorra, d) que situação e oposição tenham consciência dos diversos planos e dos modos de relacionamento diverso que situação / oposição devem adotar em cada caso, bem, nesse caso, claro que tentará tratorar propostas como as que aqui são feitas.


É prática democrática que todas as idéias sejam expressas, ouvidas e debatidas. As que defendemos seguem acima, com suas razões e seus caminhos. Aqui paramos, e ficamos ao dispor de quem desejar conversar ou debater, concordar ou discordar. Pois sabemos que o que mata a vida comunitária não é a reflexão sobre pontos de vista diversos. Os vírus fatais chamam-se sectarismo e indiferença. Os sintomas das duas viroses são diversos mas ambas podem conduzir a desfecho fatal. Bom proveito ao eventual leitor (não custa ser otimista), e tomara que tenhamos ajudado a avançar meio milímetro, nessa maravilhosa caminhada da POPULAÇÃO em busca da eficiência coletiva, através do harmonioso diálogo municipal entre EXECUTIVO, LEGISLATIVO e COMUNIDADE ORGANIZADA.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

http://twitter.com/AlessandroGilBR

Bom, vou tentar manter postagens atualizadas também por lá... É só seguir @AlessandroGilBR !
http://twitter.com/AlessandroGilBR

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Um Democrata a menos no Supremo...

A aposentadoria do ministro Eros Grau do Supremo Tribunal Federal ocorrida nesta segunda-feira (02) não é uma boa notícia para quem combate a "Ficha Limpa" ou para outros tantos que não tememos esse "jogo midiático pra platéia desinformada" nem nos cansamos de defender direitos fundamentais como contraditório e ampla defesa. Ele seria um voto contra a lei e sua abusiva aplicação retroativa em prejuízo dos acusados.

Em entrevista ao Estadão, publicada terça (03), Eros Grau foi enfático:


"Políticos corruptos pervertem, são terrivelmente nocivos. Mas só podemos afirmar que este ou aquele político é corrupto após o trânsito em julgado, em relação a ele, de sentença penal condenatória. Sujeitá-los a qualquer pena antes disso, como está na Lei Complementar 135 (Ficha Limpa), é colocar em risco o Estado de Direito. É isto que me põe medo".


"Há muitas moralidades. Se cada um pretender afirmar a sua, é bom sairmos por aí, cada qual com seu porrete. Estou convencido de que a Lei Complementar 135 é francamente, deslavadamente inconstitucional".

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Comentários sobre salários do funcionalismo no blog do Luciano Pires, do Correio...

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Segunda-feira, 02 de agosto de 2010 04:14 pm

Por reajuste, servidores da Justiça falam em "apagão"

Julho chegou ao fim e com ele a parada técnica dada pelos servidores da Justiça na greve que teve início em maio. O pessoal, que está em campo reivindicando um aumento médio de 56%, voltou das férias com a corda toda.

Em Brasília, durante um encontro que reuniu representantes sindicais de todos os estados do país, a turma decidiu que além da retomada do calendário de pressão sobre o Congresso Nacional e o Palácio do Planalto também haverá atos públicos semanais para chamar a atenção do cidadão comum. O primeiro deles está previsto para acontecer na próxima quarta-feira. Os servidores do Judiciário federal e do Ministério Público da União (MPU) propõem um "apagão" neste dia.


Publicado às 16:14


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Tags: greve  judiciario 

Segunda-feira, 02 de agosto de 2010 02:19 pm

Falando de salários


Eneuton Pessoa, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), escreve nesta segunda-feira um artigo interessante no Valor Econômico. O especialista relaciona política salarial a melhorias do setor público, temperando seus argumentos com conceitos que passam por temas caríssimos à sociedade como mérito e prestação de serviços.

Adverte Pessoa:

"O salário do servidor público torna-se motivo de insatisfação de três modos: 1) os indivíduos se comparam quanto ganham entre si, sobretudo quando fazem coisas idênticas ou se julgam mais ou menos capazes; 2) a remuneração no serviço público é questão mais de restrição financeira e de decisão de política do que de avaliação custo-benefício; 3) parcela importante da sociedade considera que o servidor representa sempre um peso morto.

Na fixação do nível de remuneração se apontam duas alternativas. Uma parte do princípio de que a remuneração deve ser a melhor possível: servidor bem remunerado é uma garantia para se obter bons serviços. A remuneração torna-se ainda um mecanismo de atração e retenção dos mais capazes. A outra consiste em conceder remunerações mais baixas, tomando como critério a redução de custos. Essa política é mais facilmente aplicável no serviço militar, dado a sua obediência irrestrita e inconteste hierarquia, ou nas situações em que são poucas as chances de trabalho no setor privado. Porém, essa política pode se mostrar contraproducente. Salários baixos levam a aumentos de gastos devido à maior rotatividade da mão de obra e maior necessidade de treinamento. Além disso, concorre para níveis elevados de corrupção e absenteísmo e, no fundamental, criam dificuldades à estruturação de um quadro de servidores mais qualificado.

Atualmente, se defende que o pagamento por mérito é o critério mais adequado para a remuneração de pessoal. A experiência americana indica que a solução não é simples. Nos EUA, desde que o país instituiu o serviço civil profissionalizado com o Pendleton Act , de 1883, que lá vigorou o pagamento à base dos cargos/carreiras (o que eles denominam de "Step-in-Grade System"). Nos anos 1970 o sistema foi criticado pelo automatismo das remunerações e por se mostrar inadequado à justa compensação do mérito. Com a Lei da Reforma do Serviço Civil (CSRA), de 1978, passou-se ao "Merit Pay System". No entanto, seis anos depois, esse sistema já apresentava problemas.

Entre eles se apontou o aumento das desigualdades salariais a níveis inaceitáveis, a inadequação dos fundos, e a manipulação de informações visando atingir os índices fixados de desempenho. O Congresso então aprovou, em 1984, nova Lei que, dentre outras coisas, restaurou traços do "Step-in-Grade System" e instituiu novo programa de bônus para o desempenho.

O sistema de pagamento por mérito supõe que o desempenho organizacional corresponde à soma dos desempenhos individuais, não considerando a organização como ela é: intrincado e complexo ambiente social. Um conjunto de variáveis, de dentro e de fora das organizações, concorre para o desempenho individual, não sendo adequado atribuí-lo a um único fator.

(...)

Há algum tempo que governos dispensam aos servidores o tratamento apropriado aos "rent seekers", sobretudo no caso da burocracia das ruas, que têm peso expressivo na folha salarial. Para esses lhes reservam o achatamento salarial, o uso de temporários e mesmo planos de demissão. No entanto, a melhoria dos serviços públicos, em não sendo mera figura de retórica, passa pela definição de políticas, de recrutamento e salariais, que não considerem o servidor apenas um item a mais do gasto público."

Publicado às 14:19

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domingo, 1 de agosto de 2010

http://www.UmMundoBemMelhor.com.br


Retransmito os comentários do amigo pßuenø sobre a versão brasileira do projeto "We are the World"... 












Sensacional. EU esperei tanto que Brasília fizesse algo para me orgulhar, agora aconteceu. Tinha que ser pela voz que o universo ouve. Pela música.
Mesmo a música ñ sendo original, a qualidade ficou excelente. Até o Michael Jackson ficaria orgulhoso deste trabalho. A parte do Rap foi uma concessão à criatividade e a liberdade de expressão atualizando o gosto de uma "galera".
E o final? Fantástica ideia que nem o grande MJ bolou.
Parceirinhos: acessai o vídeo  http://www.youtube.com/watch?v=dPx7THH4OTM e fazei algo de bom para vós próprios.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Em ano eleitoral, aumenta a "sensibilidade" dos nossos parlamentares nas votações...

Quarta-feira, 14 de julho de 2010 06:09 pm

"Vote em mim" garante o fim da taxação dos inativos


Foto: Leonardo Prado/Agência Câmara (14/07/10)

No último dia antes das férias, a comissão especial instalada na Câmara para discutir a cobrança previdenciária dos servidores inativos aprovou nesta quarta-feira uma fórmula que prevê o fim escalonado do desconto de aposentados e pensionistas.


Depois de rejeitar o relatório do deputado Luiz Alberto (PT-BA), que previa a extinção da taxa de 11% sobre o que ultrapassa o teto do INSS (R$ 3.467,40) para quem completasse 70 anos, os parlamentares referendaram o voto em separado apresentado pelo deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), que elimina a cobrança aos 65.

O texto final, do qual apenas o PT foi contra, ressalta que servidores já aposentados por invalidez ou que alcançaram 65 anos de idade ficam automaticamente isentos. Os inativos que completarem 61 anos serão contemplados com um redutor de 20% sobre a alíquota hoje incidente e, ano a ano, terão o valor reduzido na mesma proporção até a isenção completa.

Em clima de campanha, a sessão contou com a forte presença das entidades sindicais ligadas ao funcionalismo e foi regada a todo tipo de discurso eleitoreiro.

Publicado às 18:09
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Fala de abertura do 5º Simposio Internacional de Paisagismo, Lavras (UFLA), MG

Texto recebido da ecocamarada Rachel...



Um olhar do coração
Por Dra SONIA M P WIEDMANN

PROCURADORA FEDERAL
AGU/PGF/IBAMA

Recentemente um depoimento mostrou-me que a história sempre nos é contada de uma única forma. Entretanto, é possível acompanhar a história humana por diversos prismas e, no livro “A História do Mundo em 6 Copos” o autor - Tom Standage lança um olhar na história, sob a perspectiva das bebidas, mostrando que, da pré-história à globalização, as sociedades elegeram diferentes bebidas e com elas influenciaram os rumos do desenvolvimento humano.
Nosso olhar percebe que por trás das bebidas, esconde-se a dependência dos recursos naturais e na verdade, são eles que ao longo dos tempos vêm provocando as maiores disputas e, sobretudo, mudando os hábitos da humanidade.
O livro relata que na antiga Mesopotâmia, hoje o Iraque, onde ironicamente é proibida bebida alcoólica, os povos nômades descobriram que a cevada, ali nativa nos campos, fermentava e se podia guardar, e inventaram assim a versão mais antiga da cerveja, deixando então o nomadismo para adotar a agricultura e se fixar no território pelo qual passaram a lutar e defender, agregando valor à cevada, controlando os estoques e desenvolvendo a escrita.
Séculos depois, as uvas do Mediterrâneo, deram à civilização greco-romana o vinho que norteou a política, a sociedade, o poder e as grandes conquistas da Grécia e do Império Romano.
Os destilados, alquimia que usava ervas como matéria prima, e os chás determinaram até a política externa das metrópoles européias com as colônias, causando embates desde o Continente Americano até a Ásia, onde a China comercializava as folhas, e a exploração do chá na Índia pelos ingleses fez destes paises reféns deste recurso extrativista e abundante a época.

Da mesma forma, os árabes ao descobrirem o valor do café ali nativo, trouxeram-no para a Europa onde passaram a representar a era da razão. Nos cafés públicos formavam-se novas idéias e o debate, formando uma ágil rede de informações.

Será que temos idéia do que a Coca Cola fez com o resto do mundo, a partir do seu incalculável sucesso vindo dos Estados Unidos? Encarna os valores da liberdade individual e progresso, ícone da globalização. Embora não saibamos a sua receita, conhecemos seus efeitos nada ecológicos na natureza e na saúde das pessoas
Às vezes me pergunto como até então não tínhamos esta visão histórica do mundo através dos recursos naturais se agora, ela nos aparece de forma tão cristalina. O mau uso destes recursos e o desconforto pela sua falta é que nos mostra seu valor.
Lembro-me de um dia, aqui, na Fazenda da Barra onde fui criada, na confluência do Rio Grande e das Mortes, eu e meu pai andávamos a cavalo e vi uma seqüência de arvorezinhas idênticas e enfileiradas. E quando perguntei ao meu pai porque plantou-as ali, no meio do pasto, ele me respondeu que não foi ele, as sementes foram ali depositadas nas fezes das vacas que andavam umas atrás das outras e que a planta se chamava lobeira. Mas, se eram as vacas que as semeavam deveriam chamar-se Vaqueiras, eu disse. Mas, antes, eram nas fezes dos lobos que elas se semeavam, explicou meu pai.

Não há mais lobos. Eles se foram com a floresta. E toda a história desta região ignorou a extinção do lobo e passou a ser contada pela atividade educacional, leiteira, agrícola e sobretudo, minerária que, inclusive deu o nome a nossa cidade, neste espaço antes ocupado pela floresta e seus habitantes.

Dentro deste novo paradigma, desta nova forma de contar a história da humanidade, tendo os recursos naturais como responsáveis pelas mudanças sócio-econômicas, pela busca obsessiva de poder, mas, também, vendo a evolução da pesquisa e do valor agregado, sabemos que a ÁGUA será o próximo recurso, o próximo copo, a próxima bebida, novo fator determinante da geopolítica mundial.

O homem é natureza, é história. Mas a História se fez, até o momento, no confronto com a natureza. Resta saber como será possível ao homem continuar a construir sua história de forma mais racional, a fim de que não venha a perder o planeta. A civilização queiramos ou não, até agora, choque-nos ou não, tem sido assim.
Temos que contar com a ciência para que nos encontre o caminho do equilíbrio. Temos que aprender a saga humana e calcular o quanto de natureza se sacrificou, sem chegar mesmo a conhecer sua importância e como poderiam ter melhorado nossa vida,nossos alimentos, nossa saúde e nossas relações.

A água está aí para nos ensinar a contar a história como ela realmente vai ser. Não é sem razão que seu preço já está nos custando muito caro. Seja para saciar a sede, seja para produzir energia, ela vai, com certeza, mudar os rumos da humanidade. Inundando a floresta, alterando a paisagem, deslocando pessoas com toda sua ancestralidade ou tornando-se imprestável pelo lixo que recebe, privando-nos da biodiversidade desconhecida que afunda com ela e que poderia continuar existindo e produzindo alimentos e energia.
O Brasil com sua ampla disponibilidade de terras, ventos, radiação solar, marés e biomassa deveria estar fazendo a coisa certa e buscando a transição do modelo econômico tradicional representado por uma economia poluidora e que degrada o meio ambiente para outra que não contribua para o aquecimento global, tentando não só salvar a natureza, como criar empregos verdes numa economia de baixo carbono e atividades limpas.
Os brasileiros poderiam andar de carro elétrico-solar, movido a células de hidrogênio ou a ar comprimido, tecnologias que já estão resolvidas, basta ultrapassar o lobby do petróleo para serem implantadas.Este mesmo petróleo que , neste exato momento, continua seu avanço incontrolável deteriorando o oceano e a vida marinha no méxico e EEUU. Com metade do que se vai gastar para construir a faraônica Belo Monte poderia se construir dezenas de usinas solares e parques eólicos. Sem inundar mais de 500 km2 de biodiversidade ainda nem conhecida da ciência, sem desviar rios e criar mais problemas ambientais. Estudos demonstram que cada metro quadrado de painel fotovoltaico evita a inundação de cerca de 60 metros quadrados para a geração elétrica. Se o lago de Belo Monte fosse coberto com painéis fotovoltaicos, seriam geradas cerca de 44 gigawatts, o que representa cerca de 20% da energia consumida no país. A proposta não é cobrir áreas tão extensas com painéis, mas a cobertura de um estádio de futebol ou telhados de casas em condomínio podem virar uma usina.
Nos anos 70, cada watt produzido por células fotovoltaicas custava 150 dólares. Hoje, o preço varia entre 3 e 4 dólares. E quando o valor baixar para 1 a 2 dólares, estima-se que a energia solar conseguirá competir com qualquer outro tipo de energia. Ao adotarmos medidas mais sustentáveis, todos ganham. O índio ficará nas suas terras, rios e florestas serão preservados, a ciência estudará a biodiversidade e a agricultura aumentará sua produção de alimentos.
Leonardo Boff nos ensina que só cuida quem ama. E para amar é preciso sentir o calor, o frio, o vento, o olhar, a voz, o perfume e sobretudo o tato, pois o contato é que traz o amor que cuida. Vocês, no estudo da natureza, da paisagem e da floricultura, são abençoados por trabalharem com esta forma de amor.
Rubem Alves, um dos escritores que mais admiro, morou aqui no Gammon por muitos anos. Em um dos seus textos sensíveis e inteligentes, ele diz que gosta de levar seus olhos para passear. É um passeio mágico. Eu, como Rubem Alves, também gosto de levar meus olhos, mas também meu coração para passear. E passear aqui, pois meus olhos querem rever a Fazenda da Barra, e meu coração ainda se chama Santana das Lavras do Funil.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Primeira pesquisa em campanha - DF 2010

Liderança folgada de Roriz, apontando boas chances de conquistar o 5º mandato de governador ainda no primeiro turno. Pro Senado, reeleição fácil de Cristovam e empate técnico entre Rollemberg e Abadia...

Os candidatos verdes ainda não dão sinais de que conseguirão "decolar" na esteira da força da candidatura Marina, que oscila na casa dos 20% das intenções de voto em Brasília.

Blog da Paola Lima

Brasília, 14 de Julho de 2010
paola@blogdapaola.com.br
Eleições 2010 em 10/07/2010 às 18:54
Revista Brasília em Dia divulgou primeira das pesquisas eleitorais com intenções de votos para as eleições deste ano no Distrito Federal. Realizada pelo Instituto Soma, no início deste mês, com 702 entrevistados, a pesquisa foi registrada no TRE-DF com o número 18547/2010 e no TSE com o número 17820/2010. Confira os resultados:
Para governador:
Joaquim Roriz (PSC) - 46%
Agnelo Queiroz (PT) - 26%
Toninho do PSOL - 3%
Rodrigo Dantas (PSTU) - 1%
Eduardo Brandão (PV) - 1%
Indecisos - 9%
Brancos e Nulos - 15%
Para senador:
Cristovam Buarque (PDT) - 42%
Rodrigo Rollemberg (PSB) - 30%
Maria de Lourdes Abadia (PSDB) - 28%
Alberto Fraga (DEM) - 15%
Indecisos - 15%
Brancos e Nulos - 12%
Rosana Chaib (PCB) - 4%
Chico Sant’Anna (PSOL) - 3%
Jorge Antunes (PSOL) - 1%
Robson Raymundo (PSTU) - 1%
Moacir Arruda (PV) - 1%
Cadu Valadares (PV)- 0%
Para ler mais sobre a pesquisa, clique aqui. http://www.brasiliaemdia.com.br/


 http://noticias.terra.com.br/eleicoes/2010/noticias/0,,OI4561427-EI15314,00-Pesquisa+mostra+empate+tecnico+entre+Dilma+e+Serra+no+DF.html

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 Pesquisa mostra empate técnico entre Dilma e Serra no DF
12 de julho de 2010 13h54


Laryssa Borges
Direto de Brasília
Pesquisa do Instituto Soma, encomendada pela revista Brasília em Dia e divulgada neste fim de semana, traçou o perfil do eleitorado da capital federal e das cidades-satélites do Distrito Federal e apontou um empate técnico entre a candidata do PT à presidência da República, Dilma Rousseff e seu principal adversário, o tucano José Serra. A petista tem 33% das intenções de voto e Serra é o preferido de 31% dos eleitores do DF. Marina Silva tem 17%, e Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) registra 1%.
A margem de erro da pesquisa, registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número 17820/2010, é de 3,7 pontos percentuais, número maior do que a diferença de 2 pontos registrada entre os principais candidatos à presidência, caracterizando o empate técnico entre eles. O nível de rejeição dos presidenciáveis é liderado pelo tucano, com 30%, seguido da petista com 22% e da candidata verde com 8%.
Ainda que o Partido dos Trabalhadores (PT) tenha estruturado um palanque inédito com o PMDB em torno do nome de Agnelo Queiroz (PT) para o governo local, a performance de Dilma não corresponde, por ora, no bom desempenho do ex-ministro do Esporte na corrida pelo Palácio do Buriti.
Governo local
O ex-governador Joaquim Roriz (PSC) lidera a disputa para o governo do Distrito Federal com 46% dos votos. Agnelo registra 26% e Toninho do Psol tem computados 3% da preferência dos votos. Neste cenário, os votos brancos e nulos chegam a 15%. Os indecisos são 9%.
Nas informações recolhidas dos 700 eleitores entrevistados pelo levantamento, a rejeição a Joaquim Roriz registra 33%. Para 17%, Agnelo é o candidato em que "não votariam de jeito nenhum". Toninho do Psol tem rejeição de 21%.
Na pesquisa estimulada, a alta rejeição a Roriz é justificada por 56% daqueles que disseram não votar no ex-governador por questões relacionadas ao "passado", "currículo" ou por ser "corrupto". Dos que rejeitam Agnelo Queiroz, 28% atribuíram essas características para justificar a repulsa ao candidato.
Em um eventual segundo turno, a pesquisa do Instituto Soma aponta vitória de Joaquim Roriz com 49% dos votos. Agnelo Queiroz atingiria 33%. Brancos e nulos são 11%, indecisos são 5%.
 

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Direto da Câmara, acompanhe as novidades via "tweets"...


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quinta-feira, 1 de julho de 2010

Novo entendimento mais benéfico do STJ sobre aposentadoria por invalidez de servidor

29/6/2010 12:31:51
Direitos
STJ tem novo entendimento sobre aposentadoria por invalidez de servidor
Doenças graves citadas na lei devem ser entendidas como exemplificativas


A quinta turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, por unanimidade, que as doenças graves que podem levar à aposentadoria por invalidez permanente devem ser encaradas como exemplificativas e não taxativas. Ou seja, não cabe ao Judiciário definir qual enfermidade pode ser considerada grave, e sim, à medicina.

O Estatuto dos Servidores Públicos (Lei 8.112/90, art. 186, I, § 1º) estabelece um rol de treze doenças graves, contagiosas e incuráveis, que podem levar à aposentadoria por invalidez, dando direito ao servidor de receber proventos integrais. Caso a enfermidade não conste na lista, o servidor público federal pode se aposentar, mas recebendo proventos proporcionais. Doenças como hepatite C, por exemplo, ficaram de fora.

As doenças relacionadas no texto legal são as seguintes: tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, câncer, cegueira posterior ao ingresso no serviço público, hanseníase, cardiopatia grave, doença de Parkinson, paralisia irreversível e incapacitante, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados do mal de Paget (osteíte deformante), Aids.

Em seu voto, o ministro Jorge Mussi considerou que "excluir a possibilidade de extensão do benefício com proventos integrais a servidor que sofre de um mal de idêntica gravidade àqueles mencionados no 186, I, § 1º, da Lei n. 8.112/90, e também insuscetível de cura, mas não contemplado pelo dispositivo de regência, implica em tratamento ofensivo aos princípios insculpidos na Carta Constitucional, dentre os quais está o da isonomia".

A decisão do STJ traz esperança a uma série de servidores que foram obrigados a se aposentar por motivos de saúde e que, por serem portadores de doenças não citadas na lei, tiveram seus proventos reduzidos, justamente no momento em que mais precisariam receber integralmente.

De acordo com o artigo 190 da lei citada, o servidor aposentado com provento proporcional ao tempo de serviço em razão de qualquer uma das doenças listadas anteriormente, poderá passar por junta médica oficial e, considerado inválido, passará a perceber provento integral.

Com o novo entendimento do STJ, deduz-se que servidores aposentados por invalidez por doenças não arroladas na lei poderão também fazer jus ao recebimento da aposentadoria integral. Os filiados que se encontrarem nesta situação poderão procurar a orientação gratuita da Consultoria Jurídica do Sindilegis (Consulegis).


Por: Aline Paz Rogers - Fonte: Imprensa Sindilegis